domingo, 10 de novembro de 2013

Vergonha

Não tenho vergonha de gostar – e de fazer – poesias
Ou de declarações de amor em público;
O que me envergonha são minhas atitudes egoístas
Ou até mesmo de falta de cavalheirismo.

Não tenho vergonha de me emocionar ao assistir um filme ou ler um livro
Ou de admirar flores, arco-íris e demais belezas do Criador;
O que me envergonha é a minha indiferença em algumas situações
Ou até mesmo, diante de algum fato ocorrido, a minha falta de compaixão e de amor.

Não tenho vergonha de cruzar as pernas para frente “à la Caetano Veloso”,
ou de  vestir roupas de cor rosa e suas variações;
O que me envergonha é não honrar a minha palavra,
Chegar atrasado aos meus compromissos e não cumprir com as minhas obrigações.

Não tenho vergonha de aparar pelos que incomodam,
Ou de usar produtos que cuidam da minha aparência;
O que me envergonha é agir em desagrado ao meu Deus
E deixar de refletir a Sua imagem em minha essência.
Gustavo M. Santos

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Palavras de um pássaro

"Como sou conhecido popularmente reflete o anseio desta sociedade do consumo: Quero isso, quero aquilo... QUERO-QUERO! Deram-me este nome por conta do meu grito, que se repete várias vezes, dia e noite. Porém, meu brado não está ligado ao ter, mas ao ser. Quero proteger minha família. Quero defender meu território – o espaço que o Criador me concedeu, mas a criatura invade e destrói sem pudor. Quero a liberdade de poder voar, de fazer acrobacias no céu, acompanhado da minha parceira ou de todo o meu bando. Quero cantar, apesar de saber que minha voz estridente não agrada a todos os ouvidos. E daí? O meu canto é para o meu Deus, Aquele que provê meu alimento da própria natureza, que me dá a vida e me faz seu porta-voz para que todos entendam: 'Queiram sim, mais paz, mais amor; e menos aquilo que é fugaz, aquilo que o dinheiro dita o valor'."
Gustavo M. Santos 

domingo, 20 de outubro de 2013

Delicadeza e sensibilidade: coisa pra gente arretada!

                         *Arretada: pessoa corajosa, valente.

Quando criança, eu me lembro do meu pai dizendo: “Engole esse choro porque homem que é homem não chora!” Anos depois, quando comecei minha caminhada com Cristo, descobri um Mestre que chorou quando foi ao local que seu amigo Lázaro tinha falecido – na minha juventude, também tive o “privilégio” de ver meu pai se emocionando a ponto de derramar lágrimas.
Vivemos em uma sociedade que se esqueceu do cavalheirismo, que evita declarações de amor e manifestar o gosto por poesias, pois essas coisas não soa algo másculo. E novamente olho para o Manual da Vida e leio Cristo versando em Mateus 6.28-29: “Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles”.
Palavras com belos significados tornaram-se pejorativas. Meigo (que possui gentileza, cuja motivação se pauta na bondade) virou ofensa. Manso (calmo, tranquilo) está associado àquele que aceita traição – lembrando que Jesus orienta em Mateus 11.29: “Aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração”. Sensibilidade (percepção aguda, capacidade de sentir) e delicadeza (comportamento cortês, ação que demonstra atenção) conotam automaticamente “feminilidade”. Mais uma vez, observo um cenário e vejo todas essas características em Cristo.
Uma mulher estava sendo acusada de adultério. Segundo a lei da época, ela merecia a morte. O clima era de tensão. Porém, Jesus mantinha a tranquilidade. Ele não elevou a voz, mas gentilmente ensinou acerca do perdão: “Se algum de vocês estiver sem pecados, seja o primeiro a atirar pedra nela”. (João 8.7) Um a um, os acusadores foram embora. Sua atitude compassiva e sua delicadeza em lidar com a situação transformaram a vida daquela mulher. Aprendamos com Ele: a coragem não consiste em atirar pedras, mas em amar ao próximo.
Gustavo M. Santos 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Perdoe-me por ser humano

Confesso que sou muito crítico comigo mesmo. A frase de uma canção do grupo musical Teatro Mágico expressa o que sinto com certa frequência: “Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior”. O apóstolo Paulo também faz um desabafo em Romanos 7.19: “Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo”.
Somos a imagem e semelhança do Criador, mas não somos deuses. Somos criaturas sem defeitos de fabricação, porém sujeitos a falhas, e isto revela o quão dependente de Deus nós somos, que nos guia por um caminho seguro e nos oferece o Manual da Vida para nos auxiliar em nossa jornada.
Ser humano é assimilar esta verdade: reconhecer que o Senhor nos conhece melhor do que nós mesmos, compreendendo cada uma das nossas batalhas – das quais vencemos, mas também muitas vezes somos derrotados. Sabendo disso, o versículo de 1João 2.1 nos adverte: “Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”.
Preciosas lições são extraídas desta pequena frase: 1) O carinho pelo qual o Pai nos chama de “filhinhos” mostra inicialmente um cuidado sublime. 2) Ele nos ensina o caminho da santidade: zelar por Sua palavra que gera vida em nossas vidas; 3) O  “se” revela que “errar o alvo” – significado de pecado na língua original –  é algo que estamos sujeitos; mas (4) temos o perdão quando recorremos a nosso Advogado Celestial.
Portanto, minha oração é que através deste escrito você possa entender que Deus sabe das suas limitações e Ele não lhe pede nada além do que você possa dar. Mais do que isso, Ele oferece o perdão, de antemão, para que na sua fraqueza seja revelada a força dEle e achegando-se a Ele, você experimente da boa, agradável e perfeita vontade divina.
Gustavo M. Santos

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Fraseando - sobre tecnologia

"O Ministério do Relacionamento adverte: além da falta de respeito, o celular pode causar danos ao contato interpessoal-presencial, sendo extremamente nocivo".

"TECNOLOGIA: diminuindo as longas distâncias, aumentando as curtas".

"'Click'? Prefira o 'toque'! (Click = mundo virtual; Toque = aperto de mão, abraço, contato pessoal, vida real)".

“Academia, som ambiente e várias pessoas com fones de ouvidos. Mesas de restaurantes, pais com celulares e crianças com tablets nas mãos. Viagens de carro e um dvd acoplado a cada banco do veículo. Pessoas na mesma casa se correspondendo através do computador. As conversas na sala dividem a atenção com a televisão. Mais recados virtuais e menos visitas reais. Frutos da tecnologia, que pouco a pouco vão minando o contato pessoal entre os indivíduos”. 

"Cuidado com a tecnologia. A calculadora efetua as operações, todavia atrapalha seu raciocínio matemático. O celular agenda seus contatos, entretanto mina sua capacidade de memorização. O word corrige o seu texto, mas esta facilidade influencia negativamente o seu português. O google responde as suas dúvidas, porém consome sua busca paciente pelo saber. A mídia te informa, contudo deforma-lhe o raciocínio crítico. O virtual rouba o seu tempo real..." 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Fraseando - sobre Cristianismo

"Nem só de culto viverá o cristão".

"Não confunda fé com positivismo. Não confunda prosperidade com finanças. Não confunda cristianismo com religião".

"Como homem, gosto de andar com os pés no chão. Como cristão, Deus me desafia a andar sobre as águas".

"Luz muito intensa incomoda a vista. Sal usado em demasia torna o alimento difícil de ingerir. Assim é a vida do cristão: se não for sábio em suas atitudes e palavras, acaba por repelir o próximo do que ele busca o aproximar".

"Você tem uma corrida a vencer. Corrida que exige preparação constante, treinamento, esforço e dedicação... Uma luta a ser travada. Luta esta que é diária, e seu maior inimigo é você mesmo. Isto é vida cristã: uma corrida em direção ao centro da vontade do Pai, e uma luta para vencer as provações que tentam nos afastar deste alvo. Mas com Ele, a vitória é certa. Confie, segura na mão de Deus e vai!" 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Caça as rapos(inh)as

O livro de Cantares – também chamado de Cântico dos Cânticos - é um dos livros poéticos da Bíblia, cujo conteúdo é baseado em um relacionamento firmado no amor. Neste contexto, em meio a declarações de um casal apaixonado, um versículo chama a atenção. Em Cantares 2.15 está escrito: “Apanhem para nós as raposas, as raposinhas que estragam as vinhas, pois as nossas vinhas estão floridas”.
Um animal relativamente pequeno pode parecer inofensivo, mas tem a capacidade de causar grandes estragos. Em um cenário de primavera, flores e frutos; a exortação é: todo cuidado é pouco quando o assunto são as raposinhas! Compreendido isto, fica a pergunta: mas o que este aprendizado tem a ver com o tema proposto pelo autor do livro?
Muitos comparam a paixão, comum em um envolvimento inicial, com a cegueira. Entretanto, com o passar do tempo – do namoro e posteriormente o casamento – é normal que o estado de frenesi* diminua e as “raposinhas” comecem a surgir... Este é o momento de começar a caça-las, ou seja, não permitir que pequenas coisas comecem a "estragar a vinha"...  Quanto mais cedo resolvermos os “problemas” que surgirem, melhor!
Há um provérbio oriental com ensinamento complementar a este versículo: “Tropeçamos sempre nas pedras pequenas, as grandes logo enxergamos”. Muito diálogo, sinceridade e sabedoria são alguns elementos necessários para superar defeitos e diferenças de um casal. É preciso ter a convicção de que o amor não é apenas um sentimento, mas uma decisão que ambos tomaram para não permitir que “inimigos sutis e astutos” devastem um frutífero relacionamento.
Gustavo M. Santos
*Frenesi = excesso em uma paixão, excitação.

domingo, 1 de setembro de 2013

O inimigo que beija e o amigo que erra

Um dia desses, fui almoçar com a minha família em um restaurante e vi uma frase na camiseta de um rapaz que me fez refletir. Nela estava escrito: “Deus, me proteja do inimigo que me ataca e mais ainda do inimigo que me abraça”. A amizade realmente é um risco, porque não se conhece profundamente alguém da noite para o dia. É preciso caminhar junto, e assim, gerar confiança para compartilhar segredos, intimidades e outras particularidades.
O Manual da Vida também nos ensina algumas coisas sobre a amizade e uma das instruções está relacionada ao cuidado com quem andamos, conforme 1Coríntios 15.33: “Não se enganem: as más companhias estragam os bons costumes”. Este é um precioso alerta para nossa geração, porque muitos têm enganado a si mesmos e adentrado em abismos profundos por influência de supostos “amigos” (drogas, imoralidades, algazarras entre outros) perdendo princípios e valores que muitas vezes os pais tanto lutaram para enraizar neles.
A vida de Cristo também é um exemplo neste assunto. Jesus caminhava com doze homens, dentre os quais destacamos dois neste escrito: Judas, que se aproxima dele e com um beijo, o entrega aos soldados romanos iniciando uma série de sofrimentos a um inocente; e Pedro, que temeroso em sofrer por conta de sua amizade com o Mestre, nega conhece-lo por três vezes – e logo em seguida, arrepende-se amargamente.
Somos seres humanos e isto é sinônimo de falibilidade. Portanto, o nosso desafio é identificar quem está ao nosso redor que acrescenta em nossa vida e somar forças com ela - e quando esta pessoa errar, nos dispor a perdoar. Por outro lado, afastar-se daqueles que nos “subtraem” pode determinar uma história de sucesso ou fracasso em nossas vidas. Cuidado. Seja luz.
Gustavo M. Santos

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Vem-e-vai da vida cristã

“[...] Vem, e segue-me!” (Mateus 19.21b) = Estas foram as palavras de Jesus ao jovem rico. De forma semelhante, os Evangelhos relatam Cristo indo ao encontro de alguns discípulos e convidando-os para caminharem com ele. Podemos ainda lembrar o momento da ressurreição de Lázaro, quando mais uma vez é pronunciado: “Venha para fora!” (João 11.43).
O ensinamento extraído através deste primeiro verbo é que a vida cristã começa com um chamado, um convite de um Deus que nos ama primeiro, independente da forma como nos encontramos – sujos, frustrados ou até praticamente “mortos”. Dizendo “sim” a este desafio, passamos a caminhar com o Mestre, tornando-nos um discípulo-aprendiz nesta jornada.
“[...] Vão e façam discípulos...” (Mateus 28.19a) = Este segundo verbo implica em uma ordem para aqueles a quem foi dado o privilégio de tornar-se um filho de Deus, e consequentemente, um discípulo de Jesus. A graça nos alcança para cumprir um propósito; conforme João 15.16: “Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça”.
Apesar do imperativo, é preciso um novo “sim”, uma resposta à assimilação desta verdade. Não apenas receber, mas estar disposto a oferecer. Mais do que ser servido, compreender o valor do servir. Morrer para si mesmo e viver para Deus e pelo próximo. Ser alcançado pela cruz, e em seguida, carrega-la.   
Vinde e ide. Chamado e envio. Um convite e uma ordem. Privilégio e responsabilidade. Que o nosso “sim” a Deus não seja parcial, mas uma entrega total, correspondendo as suas divinas expectativas; e que sempre possamos dizer: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6.8).
Gustavo M. Santos

sábado, 10 de agosto de 2013

Amor, via de mão única

Certa vez, perguntei a um grupo de pessoas o que significava relacionamento, e uma delas respondeu: “Para mim, é 50/50”. Pedi uma explicação acerca da definição, e ela disse: “É preciso igual doação e disposição de ambas as partes”. Constantemente, também vejo outros pensamentos semelhantes, como: dê valor somente a quem merece; ame quem te faz sorrir porque a vida e curta para gastar com quem não liga para você; entre outras frases do gênero.
Ao longo da vida, é natural que encontremos pessoas das quais nos identificamos, temos afinidade e geramos intimidade, a quem chamamos de amigo com “orgulho”; ou ainda outros que serão apenas colegas, mas que teremos grande apreço. Porém, muitas vezes nos esquecemos do mandamento escrito em Tiago 2.9a: “Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado”. Falhamos quando o assunto é EQUIDADE.
Segundo o dicionário, equidade significa: neutralidade, igualdade, imparcialidade. Basta observar as salas de aula, empresas, famílias e igrejas para enxergar uma balança desmedida no tratamento às pessoas, geralmente pendendo para quem tem mais condições de oferecer-nos algo em troca – seja financeiramente ou qualquer outro benefício. Logo, quanto maior a sua “utilidade”, maior o seu valor – e vice-versa.
Portanto, o desafio proposto através desta reflexão é que analisemos se temos cometido este erro com as pessoas ao nosso redor e possamos aprender que amar não é uma via de mão dupla, ou seja, não é uma questão de merecimento, nem uma troca de interesses. Amar é uma decisão, um mandamento que valoriza o meu próximo não pelo que ele pode me oferecer, mas pelo que eu posso oferecer a ele.
Gustavo M. Santos